Presença Feminina no mundo do Trabalho

As mulheres conquistaram seu espaço no mercado de trabalho. Cada dia, cada nova vaga conquistada por uma mulher no mercado de trabalho é mais uma conquista de uma luta que atravessou diversas gerações de feministas por muitos e muitos anos. Porém, ainda hoje muitas mulheres acabam sendo preteridas para alguns cargos simplesmente pelo fato de serem mulheres. O argumento mais utilizado para tal preferência por homens é o de que as mulheres não seriam profissionais de confiança, uma vez que existe sempre o “risco” de que se ausentem por um longo período do emprego ao engravidarem (licença maternidade) e também de se ausentarem com frequência, caso tenham crianças pequenas (idas ao pediatra, reuniões da escola, possíveis problemas na creche, etc.).

Diante desse receio geral das empresas, este artigo tem por objetivo apresentar e discutir brevemente a questão. É realmente tão arriscado contratar uma mulher que tenha filhos ou que planeje (ou sonhe) engravidar? Tal receio é justificado?

Para responder a tais questões, recorreremos a uma pequena história. Uma empresa de ônibus urbano que opera em algumas cidades da região do Vale do Paraíba, em um de seus mais recentes processos seletivos para a vaga de cobrador de ônibus, resolveu inverter o padrão vinha utilizando até então. Ao invés de dar preferência a homens (o ramo do transporte ainda apresenta uma ampla predominânciamasculina), resolveu priorizar mulherescom mais de 30 anos e que já tivessem filhos (justamente o perfil que tende a encontrar maiores dificuldades para de inserção no mercado de trabalho). Ao contrário do que poderia supor o senso comum, a empresa percebeu que essas mulheres contratadas geravam menos problemas do que os homens.

Pois,graças às dificuldades que encontravam para se integrar ao mercado de trabalho (devido ao preconceito) e ao fato de possuírem um dependente direto (filho), se esforçavam mais e trabalhavam com mais responsabilidade que seus colegas do sexo masculino. O número de reclamações e o índice de absenteísmo eram bem menores que aqueles dos homens que ocupavam a mesma função na empresa.

Além disso, não é apenas uma história isolada em um microcosmo específico que sugere que ser mãe não é sinônimo de falta de dedicação à vida profissional. Muito pelo contrário. Pesquisas com mães que ocupam cargos de confiança em uma instituição bancária, por exemplo, também demonstraram que a maternidade aumentou ainda mais o seu senso de responsabilidade (em todos os aspectos da vida e não apenas na vida pessoal). Quando se fala no amor da mãe pelo filho, a metáfora mais comum é a da leoa defendendo seus filhotes. Pois bem, é preciso se lembrar também que uma leoa não apenas defende seus filhotes como ainda vai até a selva caçar para alimentá-los.

Já no que diz respeito a mulheres que pensam em engravidar, esse processo está cada vez mais planejado e seu efeito nos trabalhos realizados tende a ser cada vez menor. Com o aumento da qualificação da mão de obra e da escolaridade feminina, as mulheres estão planejando cada vez mais e melhor o momento de ter um filho. Assim, a tendência é que tais mulheres deixem para engravidar apenas quando alcançam certa estabilidade financeira. Embora esse problema ainda exista em certa escala em alguns níveis operacionais ou de menor escolaridade, pode ser combatido com eficiência por meio de campanhas educativas explicando e estimulando o planejamento familiar. Tais campanhas não constituem uma intromissão da empresa na vida pessoal da colaboradora, mas sim um programa informativo e de conscientização com o objetivo de proporcionar à colaboradora a capacidade e o direito de escolher o momento que considere mais apropriado para se tornar mãe. No caso de uma funcionária grávida, lembre-se de que gravidez não é doença e que o fato de estar gestando um filho não a impede de trabalhar, de participar de treinamentos, de se aprimorar, etc. (desde que, é claro, não se trate de um trabalho insalubre ou perigoso, e que seja antes da licença maternidade).

Por último, tanto no caso de uma mulher que pretende engravidar quanto no caso de uma mãe com filhos pequenos, convém ressaltar que não haverá problemas no que diz respeito à concentração no trabalho. As mulheres, ao contrário dos homens, são capazes de desenvolver várias tarefas ao mesmo tempo e de realizar jornadas duplas com muito menos dificuldades do que os homens.

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