Autoestima e emprego

Autoestima. Talvez a expressão mais citada em revistas e artigos relacionados à autoajuda (competindo de perto com estresse e criação dos filhos). Geralmente,é apresentada como parte dos estranhos enunciados autoestima baixa e autoestima alta. Estranheza, na verdade, que é puramente fonética, já que auto (prefixo) não tem nada a ver com alta (adjetivo). O segundo é um adjetivo e indica a qualidade ou a característica de um conceito, no caso, aqui, a autoestima. Já o primeiro é um prefixo e forma o próprio conceito. No caso, autoestima é a estima que a pessoa tem por si mesma (tal estima podendo ser tanto alta quanto baixa).

Eliminadas as confusões, pode-se apresentar a definição científica do termo. Autoestima é um conceito da psicologia que indica “avaliação subjetiva que uma pessoa faz de si mesma como sendo intrinsecamente positiva ou negativa em algum grau (Sedikides & Gregg, 2003)”. Para a psicologia não existe uma avaliação subjetiva neutra, uma vez que é impossível ser isento ou objetivo a respeito de si mesmo. Portanto, o problema passa a existir não quando a autoestima deixa de ser neutra (ou objetiva), mas quando seu grau (seja ela de caráter negativo ou positivo) alcança níveis muito afastados da realidade, de forma que passe a justificar ou estimular cursos de ação não condizentes com o contexto ou a realidade na qual a pessoa se insere. Porém, ainda segundo a psicologia, a autoestima não é um conceito tão simples a ponto de resumir-se a um “bem-me-quero/mal-me-quero”, ela é uma mistura de crenças (“eu sou competente/incompetente” e de emoções (orgulho/vergonha); pode ser reduzido em múltiplos subconceitos (autoimagem, autoconfiança, autoaceitação); pode ser construída tanto quanto um traço permanente da personalidade quanto pode ser uma condição psicológica temporária; se manifesta nos comportamentos; e pode ser tanto uma expressão particular (“sou um bom advogado”) quanto uma expressão geral (“sou uma má pessoa e não me orgulho de mim em geral”).

Vê-se, portanto que se trata de um conceito muito mais complexo do que se imagina e do que se fala nos artigos a respeito da autoajuda. Qual seria, então, a relação de um conceito psicológico tão abrangente, tão complexo e tão abstrato com algo tão concreto e tão pontual como encontrar uma posição adequada no mercado de trabalho?

Tudo. Pois, como o trabalho consiste na venda da força de trabalho (que se torna uma mercadoria) assume-se que o trabalho tem um “valor” de mercado (que não necessariamente tem a ver com o seu valor para a sociedade, para a satisfação social ou outros critérios). Assim, o “valor” (ou a estima) que a pessoa atribui a si mesma mistura-se com o “valor” que acredita ter o seu trabalho ou com o “valor” que acredita merecer receber por sua força de trabalho. Como vimos acima, a autoestima não é apenas um conceito psicológico abstrato, mas se manifesta no comportamento servindo como estímulo (favorável ou contrário). Então, uma autoestima muito desalinhada com a realidade pode fazer com que a pessoa se candidate a vagas com uma remuneração muito superior ou muito inferior à sua qualificação ou até mesmo, no extremo, a não procurar por vaga nenhuma.

Autoestima e valorização profissional

Embora a autoestima possa dissociar-se da realidade em dois níveis prejudicialmente auto ou prejudicialmente baixa – e ambos possam afetar o posicionamento no mercado de trabalho - será tratado aqui apenas do segundo caso. Principalmente porque,esse parece ser o caso mais comum de desvio, a julgar por todas as palestras que são dadas, livros que são publicados e matérias que são divulgadas a respeito desse aspecto do problema.

Há é claro, uma ligação entre o aumento da autoestima e uma melhor colocação profissional. Porém, essa conexão não reside em uma conexão direta de causa e efeito, em trânsito de energias ou em qualquer outro aspecto místico.  Essa relação se dá de forma intermediada, pelo comportamento – pois a autoestima interfere com o comportamento –e uma autoestima alta acaba por estimular comportamentos que são favoráveis para uma melhor colocação profissional. Tais comportamentos são:

Existem ainda muitas outras características e comportamentos que são benéficos para a colocação profissional. Note que tais comportamentos e características são úteis não apenas para a colocação profissional, mas também para a manutenção da posição e para o desenvolvimento profissional.

Melhorando a autoestima

Na definição de autoestima contida acima está incluída a ideia de que ela é um composto tanto de traços permanentes quanto de traços momentâneos. Portanto, a autoestima está sujeita a fatores externos ou internos e pode ser alterada (o que faz da relação autoestima – comportamentos uma via de mão dupla). Deduz-se então que certas práticas podem aumentar a autoestima, mas quais são essas?

Se elas fossem tão simples não se falaria tanto no assunto, bastaria falar uma vez e tudo isso estaria resolvido. O problema é que essa solução passa pelo autoconhecimento, ou seja, os comportamentos que são favoráveis ao aumento da autoestima em uma pessoa nem sempre fazem efeito análogo em outra. A melhor estratégia seria então conhecer a si mesmo, da forma mais realista e “objetiva” possível, e estabelecer uma listagem (equilibrada) de pontos fortes e de pontos que necessitam de desenvolvimento. A partir desse ponto é possível decidir quais desses pontos devem ser reforçados (pontos fortes) e quais devem ser desenvolvidos (pontos que necessitam de aprimoramento).

No entanto, uma dica pode ser tomada como global. Deve-se aceitar que se é passível de erros e assumir a responsabilidade pelos mesmos. Não se trata de ter uma visão Polyana (ver o “lado bom” do erro), mas sim de admitir que todos podem errar, de que um erro não é o fim do mundo(e nem de suas chances),de buscar o melhor plano de ação tendo em vista que o erro já ocorreu e,por fim, de tentar entendê-lo para não repeti-lo, enfim, para aprender com ele.

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